É PRECISO MUDAR O DESTINO DAS MOEDAS BRASILEIRAS

Demilson Guilhem

A moeda precisa ser mais respeitada. Um balanço recente do Banco Central mostra isso. De todas as moedas emitidas no Brasil desde 1994, um total de 27%, ou seja, R$ 508,3 milhões, estão fora de circulação, perdidas em gavetas e armários ou esquecidas dentro de cofrinhos, em qualquer canto da casa!
O próprio Banco Central calculou que o custo de substituição desse dinheiro (5,134 bilhões de moedas)  seria de R$ 1,1 bilhão. Algo que com certeza nunca paramos para pensar na hora que deixamos nossas moedas esquecidas e sem circular por meses e até anos.
Isso demonstra que a importância do dinheiro moeda nem sempre é notada pelo cidadão brasileiro. Algo visto como troco gera renda e aquece a economia, e desprezando-a estamos contribuindo para enfraquecer o sistema monetário. A moeda acaba sendo usada de forma secundária, deixada de lado, e seu acúmulo de maneira errônea, somando residência por residência, comércio por comércio,  pode representar um valor muito maior do que as notas que usamos no nosso dia a dia.
De maneira geral, a cada ano, cresce cerca de 5% o número de moedas fora da economia brasileira. Se levarmos em conta moedas de um centavo, a porcentagem sobe para 7,4%. Se forem moedas de um real, o desperdício é de 3,3%. Seja um número ou outro significa um valor alto de recursos deixados para trás a cada ano, e a única forma de mudar isso é mudando a maneira de agir, lidar e aplicar as moedas no cotidiano de cada família brasileira.
O que precisa mudar para ontem é a conscientização de como usar a moeda brasileira. E o uso da tecnologia pode ser uma forma de minimizar isso. Uma máquina que recebe moedas e gera crédito para uso ou depósito bancário chegou ao Brasil, está sendo aprovada pelo Banco Central e logo poderá ser adquirida por bancos, lojas de varejo e pontos de comércio, em geral. Nessa máquina, o cidadão comum coloca suas moedas e por meio de um sistema exclusivo e patenteado, de acordo com a legislação brasileira, contabiliza até 2.500 moedas por minuto, sendo capaz de validar diversos parâmetros de segurança.
Por exemplo, moedas falsas ou outros objetos são reconhecidos e descartados. Para identificação e autorização do usuário, a máquina possui um leitor híbrido para cartões magnéticos e com chip (opcional) ou acesso por meio de uma senha, sendo considerada a mais confiável no mundo desta categoria.
Ou seja, a moeda acumulada pode ser trocada, de uma vez, por valores em espécie ou crédito bancário. Dessa forma, o “dono” dessa moeda poderá visualizar a quantidade que possui e valorizar esse valor, podendo utilizá-lo de maneira integral tendo a conotação real do quanto vale o acúmulo de moedas.
Com certeza é uma maneira de conter o desperdício criando um novo valor para o dinheiro moeda e dando assim uma possibilidade de não mais descartar algo tão importante e que faz girar e aquecer a economia brasileira.

Demilson Guilhem é Diretor-Presidente da Hess Latam.

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